Os fundos de investimento imobiliário viveram um julho diferente. Depois de meses de saídas líquidas e cotações pressionadas pela Selic elevada, o setor registrou captação líquida de R$ 2,3 bilhões no mês — o melhor resultado desde janeiro de 2025, segundo dados da B3.

O movimento não é coincidência. A combinação de dólar em queda — que alivia a pressão inflacionária — e sinalizações mais dovish do Banco Central criou um ambiente propício para ativos sensíveis à taxa de juros. E os FIIs, por definição, estão nessa categoria.

Quem está comprando

O perfil dos novos cotistas surpreende. Dados da B3 mostram que 68% das novas posições abertas em julho vieram de investidores com patrimônio declarado abaixo de R$ 50 mil. O varejo está voltando — e com cautela maior do que nos ciclos anteriores.

"Estamos vendo um investidor mais maduro. Ele não está comprando qualquer FII. Está pesquisando vacância, qualidade do portfólio, histórico de distribuição. A crise de 2022 ensinou muita gente", observa Patrícia Nunes, analista de fundos imobiliários de uma corretora nacional.

Os segmentos que lideram

Entre os fundos de tijolo, os de logística seguem como favoritos — impulsionados pelo crescimento do e-commerce e pela escassez de galpões de alto padrão próximos a capitais. Os de lajes corporativas, que sofreram mais durante a pandemia, ainda buscam recuperação, mas mostram sinais de estabilização.

No segmento de papel, os FIIs de recebíveis imobiliários continuam atrativos para quem quer renda mensal com menor volatilidade. Com carteiras atreladas ao IPCA ou ao CDI, eles funcionam como uma espécie de renda fixa com liquidez diária.

O que pode mudar esse cenário

O risco principal é o fiscal. Se o governo não conseguir sinalizar equilíbrio nas contas públicas, a curva de juros longos pode voltar a subir — e aí os FIIs sofrem novamente. O mercado está de olho nas discussões sobre o orçamento de 2027, que devem ganhar força em setembro.

Por ora, o humor é positivo. Mas quem viveu 2022 sabe que o cenário pode mudar mais rápido do que qualquer modelo prevê.